Conheça o chamado Plano Real

Quando o Brasil saiu da ditadura militar, a inflação já crescia fora de controle. Os gastos não muito regulares não ajudavam a pagar a Dívida Externa, cujo juros nos assombrava todo mês, e o país estava quase que fechado para exportações

Quando o poder foi entregue de volta a sociedade civil, ainda havia de se decidir como funcionaria o governo, qual a natureza das novas leis, e criar uma nova constituição.

O ministro da fazenda na época, Francisco Ornelas, identificou nos gastos do governo a principal causa da inflação,  sugeriu um corte de gastos no orçamento da União, para evitar que o governo dependesse do arrecadamento contínuo, e assim parasse de imprimir papel moeda e de recorrer a novos empréstimos.

A ideia não foi bem vista, e Ornelas foi demitido.

No Brasil, a economia era indexada, o que quer dizer que o preço das mercadorias variavam de acordo com o índice da inflação, e não com a oferta e demanda. Isso dava inércia a inflação, transformava ela em uma bola de neve. Se um comerciante sabia que a inflação no mês passado, foi de 20%, ele parte do princípio de que pelo menos esse mesmo índice ocorrerá novamente, e faz o aumento de antemão.

A primeira solução, então, foi quebrar esse cálculo e impedir o progresso automático. Deu-se, de forma repentina, a transição da moeda para o Cruzeiro, na proporção de 1000 para 1. Além disso, o índice foi abolido, e os preços das mercadorias foram congelados por lei, impedidos de subir,  como uma espécie de tabela de custo nacional. Salários foram reajustados e abonados, e a sensação de poder de compra voltou a população.

Tudo o que o povo não pode comprar, comer ou viajar, a população decidiu fazer agora. No entanto, as causas da inflação eram muito mais profundas para serem resolvidas assim de forma tão superficial, e por baixo da pele, a inflação crescia escondida. O aumento do consumo não ajudou a estabilizar o mercado, e alem disso, as importações aumentaram, com a valorização da moeda, mas não aumentaram as exportações, o que gerou um enorme buraco.

Mas o governo tentou adiar a correção dos custos para depois das eleições daquele ano. E quando a correção fosse aplicada, seria com força.

Nas eleições seguintes com a inflação de volta aos 80% ao mês, foi eleito Fernando Collor, e logo que tomou posse, tratou de congelar todos os valores bancários a cima de 50.000 cruzeiros. A população ficou traumatizada, mas ao final do ano, tornou a subir a inflação. Seguiu-se uma série de liberações do controle de comércio, redução de taxas de importação, privatizações, na tentativa de abrir o mercado, e talvez recuperar apoio de alguns senadores.

Ainda assim, sofreu um impeachment.

Seu vice, Itamar Franco, em um período de seis meses, trocou de ministro da fazenda por três vezes. O último deles, no entanto, foi quem por fim mostrou uma solução prática.

Fernando Henrique Cardoso reuniu um renomado grupo de economistas e com eles, identificou algumas das causas do fracasso do plano Cruzado.

Entre os quais, poderia se nomear três muito importantes:

1. A inflação gera dinheiro para o governo. Aplicar métodos de eliminação da receita sem se preparar para redução de custos era impossível, e redução de custos era algo bem mal visto pelos governantes.

2. A terapia de choque, de procedimentos repentinos deixavam a população nervosa, e o mercado instável, o que desestabilizava diretamente a economia.

3. O plano Cruzado não tinha como se respaldar em um mercado aberto forte. Hoje ao longo das tentativas de abrir o mercado para a economia, essa situação havia progredido.

FHC, então, criou uma moeda transitória, de aderência não obrigatória, a URV, mas pediu que a população a utilizasse de forma voluntária, e deixou que a transição ocorresse de forma gradual. Além disso não congelou preços nem nada do tipo, o que deixou o mercado mais a vontade.

Criou novas taxas que ajudariam a cobrir o deficit nos gastos do estado, além de flexibilizar os gastos predefinidos na constituição de 1988. E daí para frente, precisou apenas se basear na abertura do comércio, e seguindo na prática, gerando saldo para o estado por meio de privatizar estatais.

Ele se elegeu presidente por dois mandados, o que o possibilitou manter em andamento a prática, e houve até um momento, ainda que breve, em que o Real teve mais valor do que o dólar, para bem ou para mal, acabou com o terror da inflação que tanto perturbou as últimas décadas do século XX.


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