História: Religião da Roma antiga

História: Religião da Roma antiga

Você sabe de onde vem a cultura de assimilar a bruxaria a mulheres da sociedade europeia?

Bom, em Roma, vocês sabem que era necessário ser cidadão para ter a maioria dos direitos, certo? Desde comércio até o direito de participar de cargos públicos.

Pois bem, praticar uma religião era também um direito que apenas cidadãos tinham. Mas isso, é claro, é apenas oficialmente. A religião e as crenças eram pregadas e espalhadas no meio público, então mesmo escravos e mulheres acreditavam nos deuses, e nos poderes que os rituais tinham. Até os estrangeiros que não tinham cidadania por vezes se tornavam adeptos do panteão romano,

No entanto, existe uma grande diferença entre acreditar nos rituais, e poder praticá-los. E por que não era permitido a qualquer um participar de rituais e cerimônias?

Acontece que os rituais romanos tinham uma característica de ser rigorosamente definidos e exatos. Todas as palavras tinham que ser ditas em ordem, e sem erros de pronúncia, todas as ações, como sacrifícios, danças, etc... Todas elas tinham de ser feitas em perfeita sincronia e ordem. Pessoas que não tinham cidadania não tem instrução suficiente para realizar os rituais de forma apropriada. Muitos nem mesmo saberiam ler as palavras, o que resultaria em erros na execução, e por consequência numa ofensa aos deuses, ou em um efeito indesejado.

Muito da concepção de magia da nossa civilização moderna vem dessa forma de religião. Os filmes e desenhos nos quais um personagem precisa dizer as palavras exatas e gestos específicos para que a magica seja bem sucedida, vem geralmente dessa cultura. Isso é assimilado pelo império depois que ele deixa de ter um panteão de deuses, e adota o catolicismo. Vem daí, certamente o formato dos sermões católicos, onde apenas o padre fala, e ordena, e todos os outros apenas recebem as informações e repetem textos prontos, decorados.

Além disso a religião do império sempre foi conectada diretamente ao governo e a política. Muitos rituais tinham influencia na decisão de outras pessoas, influenciavam na visão política. Saber o que é de interesse dos deuses e discutir sobre isso poderia dar força a um argumento político, ou até tirar usa legitimidade. Para você ter uma ideia, na transição da república para absolutismo, o governo de um homem só sobre império era visto como heresia ou sacrilégio, já que assim como Jupter dividia o poder com outros deuses, a divisão de poder entre os homens era de certa forma sagrada. Não era possível que o acesso a fazer rituais estivesse na mão de qualquer um.

Mesmo quando muitos estrangeiros de um mesmo lugar traziam para dentro de Roma um deus novo, era muito mais fácil para o império aceitar esse novo deus, dar a ele um nome romanizado, e uma história dentro do panteão, do que permitir aos cidadãos cultuar os deuses de formas subjetivas ou inexatas.

Assim, quando alguém que não era cidadão era pego fazendo um ritual escondido, tinha de ser punido.

Chegou um dia uma religião, vinda de uma província do oriente, que não podia coexistir com outros deuses, e a população romana passou a aderir a ela com força e quantidade, até que o imperador foi obrigado a assimilar aquela religião ao império para que o seu direito divino de governar não desaparecesse.

A religião era trazida por um profeta sagrado, chamado Yehoshua. Para assimilar, foi necessário dar um nome latim para ele. Assim séculos depois um Bárbaro chamado “Clothar” passou a ser chamado Clovis, ao se tornar romano, Yehoshua passou a se chamar Jesus.

Tirando isso, a maioria das outras características da religião romana continuou existindo, mesmo sem os deuses antigos. Homens e mulheres poderiam rezar, mas as cerimônias eram concluídas apenas pelos padres, mesmo aquelas em que, no seu original hebraico, eram realizadas por todos os participantes.

Algumas pessoas ainda tinham hábitos e rituais culturais que vinham dos tempos do politeísmo, mas agora eram conhecidos como rituais ao demônio. E as mulheres, que eram as principais adeptas ao habito de fazer não apenas rituais, mas todas as suas autônomas escondidas, já que tudo o que faziam tinha de ter a permissão do marido.

A furtividade era muito mal vista pela sociedade romana, desde sempre, com o fim da escravidão dentro do império, ações furtivas passaram a ser assimiladas apenas as mulheres, que permaneciam socialmente pouco autônomas. Eram por isso associadas a bruxaria com mais frequência do que os homens, além de serem consideradas como manipuladoras, guardadoras de segredos, infiéis e por aí vai. Até mesmo o veneno tinha o título de “arma preferida das mulheres”.

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