História: A cidadania Romana

História: A cidadania Romana

Roma é um maravilhoso exemplo de como funciona um império, vamos conversar sobre algumas de suas características, a começar pela sua cidadania.

O nascimento e a vida do Império Romano explicam muito bem como os governos funcionam até hoje. A diferença é que a maior parte do imperialismo contemporâneo é cultural, não necessariamente apenas político ou militar.

Quando ele começou, ele usou práticas que são a mais perfeita forma da expressão imperialismo. Era uma cidade com um desenvolvimento comercial interessante, que atraia viajantes. Ela não era a única cidade nessa região, existiam várias outras que cresciam nessa região que se chamava o Lácio, onde geralmente se falava o Latim.

O truque da cidade de Roma, no entanto, era a cidadania, principalmente. Não era qualquer um que poderia comercializar dentro de Roma, tomar parte em decisões públicas, ou coisa do tipo. Era preciso ter o status de um cidadão romano até mesmo para ter o direito de praticar a religião. Muitos escravos e mulheres eram as vezes punidos por praticar secretamente um ritual ou oração. Vamos falar mais sobre essa questão da religião, no futuro, inclusive.

Mas ok, a questão da cidadania não é invenção do império, os atenienses, por exemplo, também usaram essa mecânica. Por que no caso do império, era tão diferente?

Por que era possível se adquirir a cidadania e o direito de comercializar dentro da cidade por meios oficiais, mesmo que você não fosse nascido um homem livre, rico e romano (no entanto, nem todo homem romano livre era por si só). Então homens pobres, sem qualquer status, ou mesmo estrangeiros, antes completamente sem direitos, agora poderiam entrar em Roma, e participar da vida pública.

É claro que internamente, dependendo da sua origem, você não seria visto com o mesmo prestígio que um conhecido cidadão nascido na alta sociedade de Roma, mas era mais fácil viver em Roma, e com a cidadania. Inclusive, vários níveis de cidadania existiram ao longo dessa política, alguns com mais direitos, outros com menos, dependendo da origem da sua cidadania.

Mas o mais importante da cidadania era que, quando uma pessoa de fora pode obter a cidadania, adotar um nome Romano, e participar na construção e desenvolvimento de Roma, a cidade começa a crescer, começa a concentrar movimento, concentrar dinheiro e mercadorias, oportunidades etc... O território da cidade então começa a expandir, para acomodar todos os novos cidadãos, até chegar às bordas das cidades próximas. Outras cidades começam a exigir direitos de cidadania para seus habitantes, para comercializar com Roma, e o obtém em troca de se tornarem aliados, ou até mesmo parte politica do império, submetida ao seu governo.

A cidadania é assim um instrumento de controle político. Uma forma de imperialismo por meios culturais, religiosos, comerciais e políticos que elimina rivalidades e assimila outros povos, frequentemente sem necessidade de um conflito armado.

Roma passou assim a ser um Império ao longo de séculos, foi passando de um tipo de governo para outro de forma tão gradual que seus habitantes podem não ter percebido. Mesmo que um decreto dissesse o que era e o que não era, a mudança em si era tão lenta que as pessoas poderiam nem notar. O crescimento militar, e as ótimas formas de recrutamento algumas vezes são desenvolvidos mais por necessidade do que pela intensão de expansão.

No entanto, Roma é uma cidade cosmopolita, atrai pessoas de muito longe, dá a elas um nome romano e as assimila, e com isso, a política de Cidadania começa a perder sentido.

Os cidadãos tinham bastante direitos de cargos públicos e interferência no estado, influência política na república. Quando Roma passa a se tornar um império, a centralização do poder começa a ser necessária, por que soluções mais rápidas e lineares eram mais efetivas. Então os cidadãos começaram a perder poder dentro da sociedade.

A própria passagem do governo de república para império ocorreu aos poucos. Júlio César foi apenas um dos homens que tentou se tornar um grande líder militar. Talvez a necessidade de um líder já existisse quando seu protegido se tornou o primeiro Imperador.

O que importa é que posteriormente, ao longo do período de Roma sob governo de imperadores, a cidadania foi aos poucos deixando de existir, até que um decreto oficializasse que todos os homens eram súditos do império. Como muitas ouras coisas, a cidadania desapareceu quando não era mais necessário.

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