História: A primeira era das trevas

História: A primeira era das trevas

Se você pegou meu texto sobre a divisão entre Idade Antiga, Média e Moderna, você já viu que a Idade Média foi um período conhecido pelos historiadores como um símbolo de intervalo nas produções de cultura, conhecimento e e estabilização de poderes fortes e unificados. Um intervalo que ocorreu entre o período chamado Idade antiga, tempo dos gregos e dos romanos, dos pensadores, filósofos e impérios continentais, e o renascentismo, tempo em que os reinos começaram a se unificar, os poderes voltaram a se estabelecer, e os pensadores voltaram a ter voz.

Nós falaremos com mais detalhes sobre a idade Média no Futuro, mas inicialmente, o que eu quero que saibam é que a Idade Média não foi a primeira idade das trevas. Ou seja, não foi a primeira vez que a queda de um império causou um período de séculos de pouca produção cultural e conhecimento, e que os poderes estavam fracos e isolados, como aconteceu depois da queda do império romano.

Lembram daqueles primeiros reinos da Era do Bronze, que eu mencionei, ao redor do Mediterrâneo, e no oriente médio? Um desses povos é hoje conhecido como gregos micênicos, eram antepassados dos gregos dos tempos de Sócrates e Platão. Tinham pouco em comum culturalmente, mas falavam o mesmo idioma, e habitavam algumas das mesmas regiões.

Ocorre lá para 1100 a.C, as civilizações do Mar Mediterrâneo passaram a sofrer ataques de povos dos quais sabemos muito pouco hoje. Só o que sabemos é que eram conhecidos como Povos do mar, por que vinham de um lugar desconhecido para atacar e depois ir embora, certamente com um bocado de ouro.

Mas ocorre que essas primeiras civilizações, embora tivessem escrita, não a usavam para registros históricos, como você viu no texto sobre Idade da Pedra. Eles estavam começando a por os pés para dentro do período histórico, onde registros eram feitos. Pouquíssimas pessoas sabiam ler e escrever, mesmo entre os ricos, já que era um trabalho apenas de administração, para escribas. Então se a Idade Média produziu pouca cultura e registros, imagina essa era das trevas que veio logo depois da Idade da Pedra.

O resultado foi que os gregos, como eram na época dos micênicos, nunca mais existiram. Cada cidade se fechou em seus muros, com seus soldados e suas plantações, os poderes de uma capital já não mais chegavam a todas as cidades, o que foi levando as cidades do reino ao estado de cidade-Estado de novo, e a produção cultural foi praticamente zero até cerca de 7500 a.C. Tudo o que sabemos desse período da vida dos gregos é assimilado em teorias a partir dos chamados Contos Homéricos, poesias que contam histórias de deuses e guerras, como a Ilíada e a Odisseia, que compunham a cultura dos gregos, e muito das suas crenças. Ainda assim, como você pode imaginar, essas fontes são muito incertas para serem referências.

Quando os gregos saíram dessa época, lá para o século XII a.C, começou o período histórico dos gregos, ou seja, o momento a partir do qual temos registros, sabemos como as coisas funcionavam, temos detalhes e tudo mais. Mas quando os gregos saíram do outro lado dessa era das trevas, muitas das suas características estavam diferentes. Aqui vão duas.

Primeiro. Antes da era das trevas, os gregos micênicos enterravam seus mortos em grandes sepulturas em formato de colmeias de abelha, de enormes proporções. Depois eles passaram a cremar os mortos.

Além disso, antes, os gregos micênicos usavam uma escrita silábica, como as usadas pelos japoneses. Depois os gregos do período clássico saíram da Era das Trevas com uma escrita alfabética, contendo consoantes e vogais derivadas completamente do alfabeto dos fenícios, do Oriente Médio. Embora tivessem letras completamente diferentes, as palavras em si eram as mesmas.

A partir daí, o desenvolvimento dos gregos foi maior do que nunca antes, passaram a ser um centro mundial de cultura, comércio, ciência e religião.


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