Sobre a Monogamia vs Poligamia

Sobre a Monogamia vs Poligamia

Você está acompanhando as nossas conversas sobre o amor? Você viu a reflexão sobre a transformação da Família tradicional e sobre o amor possessivo? Bom, hoje nós vamos conversar sobre a monogamia, que é uma continuação direta desses dois textos.

O que é a monogamia? Monogamia é a tradição cultural onde um indivíduo oficialmente só pode se relacionar com um único outro indivíduo. Eu digo oficialmente, por que apesar de isso não ocorrer sempre na prática, se relacionar com alguém que não seja o seu cônjuge oficial não é aceito em uma sociedade monogâmica. Existem países onde a monogamia é um crime, para você ter uma ideia, e dá cadeia.

Nos dias atuais, nós vencemos os valores sociais antigos um por um, que delimitavam como deveriam ser as nossas formas de nos relacionar. Muitas das formas de sexualidade homossexual e bissexual que antes nem mesmo eram aceitas passaram a ganhar identidade e classificação, e por mais que isso esteja acontecendo muito mais lentamente do que deveria, novos gêneros são conhecidos, e a tendência é que aos poucos a classificação deixe de existir, para que cada personalidade tenha uma característica própria e específica, muito variadas para serem classificadas. Apesar de ser um efeito paralelo à questão monogâmica-poligâmica, as estruturas do nosso relacionamento está mudando também na mesma direção.

Houve um tempo que a monogamia exigia que você só se relacionasse com a pessoa com quem estava casado, de outra forma era fornicação. Hoje casar não é mais obrigatório como era antes. Seja por questões de coerção social, religiosa ou qualquer que seja, a pressão para o sexo apenas depois do casamento diminuiu muito, e agora, você só pode se relacionar com a pessoa com quem é casado se você for casado. E conforme as pessoas vão deixando de se casar, novas formas de relacionamento vão nascendo.

E eu sei que isso incomoda muita gente, que essa não é uma realidade que muitos de nós não gostaríamos de presenciar, mas existe uma coisa aqui, que nós estamos descobrindo, que talvez biologicamente nós já soubéssemos: O amor não deveria ser uma posse. Nós não precisamos nos relacionar com mais pessoas do que achamos necessário, mas será que necessariamente precisamos amar apenas um cônjuge, e nada mais? Será que não somos capazes de amar mais de um homem, ou mais de uma mulher ao mesmo tempo?

Por que se nós somos biologicamente capazes de amar mais de uma pessoa, por que socialmente isso não é aceito? Essa lógica é compatível com quem nós somos?

Por que talvez, nossa ideia de certo e errado esteja sendo passada de pai para filho há tantos anos, que nós aprendemos a respeitar sem questionar, tal qual fazemos sobre todo o resto, e não questionamos se isso é o melhor. E aí acabamos entrando na mesma questão de outros preconceitos que ditam o que aceitamos e não aceitamos: as pessoas que viveram até hoje viveram assim por tanto tempo, apesar de todas as privações, até que essa vida passasse a ser parte de quem ela é, e agora que existe uma nova forma de viver, mais fácil e mais livre, todo o esforço da pessoa que respeitava essa lei não é mais socialmente reconhecida. A pessoa protege a regra por que ela se identifica na regra, e se essa regra deixar de ser importante, o que ela é e o esforço que ela fez deixa de ser importante também, pelo menos na cabeça ela.

É claro que essa não é 100% da causa do nosso amor monogâmico, tem muitas coisas que influenciam também: Ciúmes, medo de ser substituído por ouro que na nossa visão é melhor e mais bonito, a sensação de ser enganado, o medo de que a “notícia se espalhe”, vergonha etc... Todas coisas geradas em torno da obrigação, e da castração que gera uma mágoa. Talvez, se não fosse algo imposto a nós, nós ainda assim permanecêssemos tendo relacionamentos monogâmicos, mas sem medo e sem preocupação, sabendo que foi por escolha própria.

Até por que a primeira pessoa a quem você tem que amar em um relacionamento é você mesmo. Um relacionamento saudável é aquele em que você tem aquilo que você precisa, e dá aos outros oque faz bem a eles também. Ninguém deveria se relacionar por obrigação, e quem o faz, certamente não é feliz.



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