O movimento Contra-iluminismo

O movimento Contra-iluminismo

Contra-iluminismo ou Anti-Iluminismo foi uma tendência filosófica iniciada ainda durante o século XVII que se opunha aos ideais iluministas ou ilustrados. Em contraponto à valorização da razão, da liberdade, da igualdade e dos ideais liberais em geral, o contra iluminismo defendia as antigas ideias conservadoras, religiosas, hierárquicas e autoritárias. Embora a tendência tenha tido seu auge durante o século XVIII, o termo que o designava apenas seria popularizado no século XX pelo filósofo Isaiah Berlin.


Nos anos que se seguiram à Revolução Francesa, cresceu um movimento mais difuso que se opunha às transformações sócio-políticas ocorridas; neste contexto se tornariam possíveis o Império Napoleônico e, mais tarde, a restauração da Casa Bourbon. Podemos compreender melhor esta tendência conservadora se examinarmos as ideias daquele que seria visto como uma importante voz discordante em relação aos iluministas: ninguém menos do que Jean Jacques Rousseau.

Eventualmente um dos organizadores da Enciclopédia, Rousseau faria várias observações críticas sobre a razão em seu Discurso sobre a Origem da Desigualdade, publicado em 1755. Defende ele que seria a razão a origem da degradação original da humanidade, uma vez que teria sido ela o principal motivo para a saída do homem do estado de natureza. 

Depois de seu raciocínio ter se aprimorado, de acordo com Rousseau, o homem passou a se sentir insatisfeito com sua condição primitiva, e trabalhou em melhorias que culminariam nas revoluções agrícola e metalúrgica. Contudo, estes avanços levariam a uma quantidade exorbitante de riqueza; por sua vez, esta levaria à necessidade dos direitos de propriedade, o que geraria inimizade geral dentro da espécie humana. 

Paralelamente, o luxo conduziria as classes superiores à degradação e fraqueza física. Como um todo, de acordo com Rousseau, os avanços da civilização motivados pela razão colaboraram apenas para tornar a humanidade covarde, preguiçosa e corrupta, tanto que nenhuma reforma civilizatória seria possível – apenas a revolução. Podemos ver assim, como os pensamentos de Rousseau foram utilizados como inspiração tanto pelos radicais jacobinos quanto pelos contra iluministas.

O contra iluminismo tinha como base política a crença de que seria impossível manter uma sociedade estável com ideias liberais. Como solução, ele apresentava a chamada ideologia do trono, defendendo um governo autoritário em uma sociedade hierárquica, liderada por um monarca divinamente estabelecido, que protegeria a Igreja e teria a religião católica como base das políticas de Estado.

Assim, outras religiões estariam vetadas e não poderiam ser praticadas legalmente pelos súditos, que também não poderiam exercer os direitos defendidos pelo iluminismo, tal como a liberdade de expressão e a liberdade de reunião. Do ponto de vista cultural, podemos ver a arte romântica como inscrita no contra iluminismo, devido à sua glorificação de perspectivas históricas e liberais ligadas ao Antigo Regime.

O anti-iluminismo persistiu até o século XX, tendo estado em declínio desde a década de 1870, quando teve início a III República Francesa e a Igreja Católica perdeu o último dos Estados Papais, abrindo espaço para a República da ItáliaDurante o início do século XX, porém, ideias nacionalistas conservadoras se ligaram aos nascentes movimentos de extrema direita, criando um pensamento sintetizado pelo francês Charles Maurras; mais tarde, suas ideias seriam consideradas como a base ideológica do fascismo. 

Neste sentido, a Espanha franquista pode ser considerada como o último governo com características contra iluministas, embora o movimento ainda seja representado hoje por partidos como o francês Frente Nacional.


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