Livro de Daniel Cap. 9

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A Oração de Daniel e a Visão das Setenta Semanas


1 No ano primeiro de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus,

2 No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número dos anos, de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, em que haviam de cumprir-se as desolações de Jerusalém, era de setenta anos.


9:1-2 Este Dario é o mesmo mencionado em Daniel 5:31 e em Daniel 6. Daniel estava familiarizado com os escritos de Jeremias e agora entende a profecia do cativeiro durante setenta anos (Jeremias 25:9-11; 29:10). O próprio Daniel tinha sido levado em 605 a.C., e agora era o ano 536 a.C., quando a primeira leva retornou sob a liderança de Zorobabel (Esdras 1).



3 E eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, e saco e cinza.

4 E orei ao Senhor meu Deus, e confessei, e disse: Ah! Senhor! Deus grande e tremendo, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos;

5 Pecamos, e cometemos iniquidades, e procedemos impiamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos;

6 E não demos ouvidos aos teus servos, os profetas, que em teu nome falaram aos nossos reis, aos nossos príncipes, e a nossos pais, como também a todo o povo da terra.



9:3-6 Daniel confessa a iniquidade do povo, a rebelião contra Deus e a rejeição dos seus profetas.

7 A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós a confusão de rosto, como hoje se vê; aos homens de Judá, e aos moradores de Jerusalém, e a todo o Israel, aos de perto e aos de longe, em todas as terras por onde os tens lançado, por causa das suas rebeliões que cometeram contra ti.

8 Ó Senhor, a nós pertence a confusão de rosto, aos nossos reis, aos nossos príncipes, e a nossos pais, porque pecamos contra ti.

9 Ao Senhor, nosso Deus, pertencem a misericórdia, e o perdão; pois nos rebelamos contra ele,

10 E não obedecemos à voz do Senhor, nosso Deus, para andarmos nas suas leis, que nos deu por intermédio de seus servos, os profetas.


9:7-10 Ele reconhece que a justiça pertence a Deus, mas a eles pertencia a confusão (vergonha) por causa da recusa deles de ouvirem a Deus.

11 Sim, todo o Israel transgrediu a tua lei, desviando-se para não obedecer à tua voz; por isso a maldição e o juramento, que estão escritos na lei de Moisés, servo de Deus, se derramaram sobre nós; porque pecamos contra ele.

12 E ele confirmou a sua palavra, que falou contra nós, e contra os nossos juízes que nos julgavam, trazendo sobre nós um grande mal; porquanto debaixo de todo o céu nunca se fez como se tem feito em Jerusalém.

13 Como está escrito na lei de Moisés, todo este mal nos sobreveio; apesar disso, não suplicamos à face do Senhor nosso Deus, para nos convertermos das nossas iniquidades, e para nos aplicarmos à tua verdade.

14 Por isso o Senhor vigiou sobre o mal, e o trouxe sobre nós; porque justo é o Senhor, nosso Deus, em todas as suas obras, que fez, pois não obedecemos à sua voz.

15 Agora, pois, ó Senhor, nosso Deus, que tiraste o teu povo da terra do Egito com mão poderosa, e ganhaste para ti nome, como hoje se vê; temos pecado, temos procedido impiamente.


9:11-15 Portanto, “a maldição” é derramada sobre Israel como foi pronunciada por Moisés (Deuteronômio 28; Levítico 26).

16 Ó Senhor, segundo todas as tuas justiças, aparte-se a tua ira e o teu furor da tua cidade de Jerusalém, do teu santo monte; porque por causa dos nossos pecados, e por causa das iniquidades de nossos pais, tornou-se Jerusalém e o teu povo um opróbrio para todos os que estão em redor de nós.

17 Agora, pois, ó Deus nosso, ouve a oração do teu servo, e as suas súplicas, e sobre o teu santuário assolado faze resplandecer o teu rosto, por amor do Senhor.

18 Inclina, ó Deus meu, os teus ouvidos, e ouve; abre os teus olhos, e olha para a nossa desolação, e para a cidade que é chamada pelo teu nome, porque não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias.

19 Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e age sem tardar; por amor de ti mesmo, ó Deus meu; porque a tua cidade e o teu povo são chamados pelo teu nome.


9:16-19 Na confissão, Daniel pede a Deus que retire sua ira de cima deles e implora misericórdia. Ele pede perdão, não na base da retidão deles, mas pela grande misericórdia de Deus. 

20 Estando eu ainda falando e orando, e confessando o meu pecado, e o pecado do meu povo Israel, e lançando a minha súplica perante a face do Senhor, meu Deus, pelo monte santo do meu Deus,

21 Estando eu, digo, ainda falando na oração, o homem Gabriel, que eu tinha visto na minha visão ao princípio, veio, voando rapidamente, e tocou-me, à hora do sacrifício da tarde.

22 Ele me instruiu, e falou comigo, dizendo: Daniel, agora saí para fazer-te entender o sentido.

23 No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a palavra, e entende a visão.


9:20-23 Enquanto Daniel estava orando Gabriel apareceu (8:15-16) para dar-lhe entendimento.


24 Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo.







9:24 Seis descrições são feitas por Gabriel, que apontam claramente para o Messias; portanto as setenta semanas devem terminar com o tempo do Messias e o fim da era judaica. 

“Cessar a transgressão” a transgressão de Israel tinha sido a razão do seu cativeiro (Daniel 9:11); mas a lei transgredida por eles estava para terminar (Colossenses 2:14- 17; Efésios 2:15).

“Para dar fim aos pecados” quando Jesus morreu ele destruiu o poder de Satanás, provendo perdão do pecado (Hebreus 2:14-15; 7:27; 9:28; 10:12). 

“Para expiar a iniqüidade” o homem é religado a Deus por meio de Cristo (Colossenses 1:20-22). 

“Para trazer a justiça eterna” por meio de Cristo tornamo-nos a justiça de Deus (2 Coríntios 5:21; Romanos 3:21-31).

“Para selar a visão e a profecia” quando elas forem cumpridas ou terminadas, serão completadas e seladas (Apocalipse 10:7). 

“Para ungir o Santo dos Santos” Cristo foi ungido (Hebreus 1:8-9), como também foi seu atual lugar de habitação (Hebreus 10:19-22).

25 Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos.


9:25 O começo das setenta semanas foi com o decreto para reconstruir Jerusalém, que foi feito por Ciro (Esdras 1:1-4; Isaías 44:26-28; 45:13). A 69ª semana terminou com a vinda de Cristo. Estas 69 semanas são divididas em duas partes (7 semanas e 62 semanas).

Muitas tentativas têm sido feitas para fixar datas exatas com esta profecia. A mais comum tem sido com referência a Ezequiel 4:6, deixando cada dia representar o tempo de um ano completo. Contudo, nada há neste contexto que sugira esta aplicação. De fato, se fazemos 69 semanas representarem 483 anos literais, temos um problema ao determinar que data deveria ser dada para o decreto de começo.

(1) O decreto de Ciro foi feito em 539 a.C. para Zorobabel. Mas se isto é para ser cumprido literalmente 490 anos mais tarde, seria 49 a.C., e isto aconteceria tanto antes do nascimento de Cristo como da destruição de Jerusalém. 
(2) O decreto de Artaxerxes I foi em 458 a.C. para Esdras. Enquanto 69 semanas (483 anos) nos levaria a 25-26 d.C. e poderia se ajustar ao tempo em que Cristo começou seu ministério pessoal, ainda temos um problema com as primeiras 7 semanas (49 anos), que tornaria completa a restauração final de Jerusalém em 409 a.C. Mas sabemos que isto seria muito tarde, porque Neemias retornou cerca de 444 a.C., e a restauração foi completada cerca de 432 a.C. 
(3) O decreto de Artaxerxes foi em 445 a.C. para Neemias. Usando esta data como o começo das 69 semanas nos levaria a 38-39 d.C., que é muito tarde para o Messias ser interrompido, e as 7 semanas nos levariam a 396 a.C., o que também é muito tarde para a restauração final de Jerusalém.
Não há em Daniel 9 prova satisfatória de que semanas ou anos são subentendidos. Parece que não há meio de ajustar matematicamente estes números em eventos maiores da história sem tempo demais ou de menos, entre cada evento. Podemos determinar o intervalo de tempo somente pelos eventos descritos. Setes e unidades de setes são usados nas Escrituras para indicar plenitude, unidade ou conclusão. Metade de sete é um período de tempo curto, incompleto. Se outra interpretação, além desta, fosse pretendida, alguma coisa dentro do contexto teria a sugerido.

26 E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações.


9:26  Parece apropriado ver as setenta semanas como descritivas de um período de tempo completado, que atingiria o ponto mais alto pelo fim, afinal, da economia judaica. Não há lugar para a “teoria do parêntesis” oferecida pelos milenaristas. Além do mais, precisaria usar forte imaginação e ficar procurando prova obscura para usar este texto para ensinar que “sete anos de tribulação” é associado com “Arrebatamento” e “reino de Cristo de 1000 anos”, como os pré-milenaristas tentam fazer com este texto. 
Durante a última semana o Cristo teria de ser rejeitado e crucificado. O Príncipe enviará um povo para destruir a cidade e o santuário com uma inundação (veja Isaías 8:5-8). Talvez se refira aos romanos sob Tito como o agente de Cristo que destruiu Jerusalém e o templo. Esta seria a guerra de “desolações” (Mateus 24:15; Lucas 21:20-22). 

27 E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.


9:27 A aliança é confirmada com muitos (Atos 10:34; Romanos 9:30) quando os gentios também são trazidos para a fé. Ainda que a Lei tenha chegado ao fim com a cruz (Colossenses 2:14-17), houve um período de inspiração direta dos apóstolos e os profetas do Novo Testamento, durante cujo tempo a Nova Aliança estava sendo revelada e confirmada (João 16:13; Marcos 16:20; Hebreus 2:3-4). No meio da semana o sacrifício e a oferta de manjares são levados a cessar, o que foi confirmado como não sendo mais necessário depois da morte de Cristo (Hebreus 9:11-17). Contudo, a real oferenda de sacrifícios de animais não cessou antes da destruição do templo, no ano 70 d.C., no tempo da abominação e da desolação (Mateus 24:15; Lucas 21:20-22). Assim, as setenta semanas começam com as ordens para reconstruir Jerusalém, e terminam com a completa destruição de Jerusalém e a confirmação da Nova Aliança.

(Versículo do dia Hebreus 9:15-27)

PERGUNTAS:

1. O que Daniel entendeu no primeiro ano de Dario? 
9:2 Que a profecia do profeta Jeremias em que havia de cumprir as desolações referia-se a 70 anos.

2. O que Daniel confessou em sua oração a Deus? 
9:3-6 Daniel confessa o pecado do povo e dos profetas, suas transgressões e desobediência contra Deus.

3. Por que ele disse que Deus os tinha levado para outros países? 
9:7-10 Porque o povo tinha se rebelado contra o próprio Deus. 

4. Qual maldição foi derramada sobre Israel? 
A maldição que foi proferida por Moisés em "Deuteronômio 28:15-44. As maldições da desobediência".

5. “Debaixo de todo o céu” nunca tinha acontecido coisa igual a quê? 
O povo de Jerusalém estava passando grandes dificuldades, e Daniel sabia a causa de tudo isso. A desobediência to seu povo tinha causado todo o mal e juízo de Deus.

6. Com que base Daniel implorou a Deus que deixasse sua ira? 
9:16 Daniel clama segundo o amor do próprio Deus, não em favor deles mesmos, mas em favor de sua misericórdia para com seu povo.

7. O que Gabriel adiantou-se em fazer? 
9:20-23 O anjo Gabriel foi logo explicar a visão de Daniel e a interpretação das setenta semanas. 

8. Quais as seis coisas que ocorreriam durante as setenta semanas? 
9:24 Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para 1 cessar a transgressão, e 2 para dar fim aos pecados, e 3 para expiar a iniquidade, e 4 trazer a justiça eterna, e 5 selar a visão e a profecia, e 6 para ungir o Santíssimo.

9. O que o povo de um príncipe destruiria? 
9:26 Destruirá a cidade e o santuário. 

10. O que aconteceria no meio de uma semana?
9:27 Fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.

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