O Livro de Daniel Cap. 5



A Festa de Belsazar e a Queda da Babilônia

O rei Belsazar deu um grande banquete a mil dos seus senhores, e bebeu vinho na presença dos mil.

5:1 Durante muitos anos tem existido confusão sobre quem foi Belsazar, e os céticos ampliaram-na como outra razão para destruir a fé na veracidade do livro. Contudo, arqueólogos, mais uma vez, descobriram evidência que prova a exatidão histórica da Bíblia. Tabletes de argila têm sido descobertos referindo-se a Belsazar como filho de Nabonido. Isto faria de Belsazar o neto de Nabucodonosor, uma vez que Nabonido foi casado com sua filha. Era muito comum nos dias da Bíblia que um neto ou mesmo bisneto se referisse a um membro ilustre de sua linhagem como "pai" (5:2,11,13,18,22).

Depois da morte de Nabucodonosor (562 a.C.) o império babilônio experimentou um rápido declínio. Seu filho, Evil-Merodaque (2 Reis 25:27) ascendeu ao trono mas governou durante pouco tempo (562 - 560 a.C.). Neriglissar, um cunhado, assassinou Evil-Merodaque e então reinou durante quatro anos (560 - 556 a.C.) quando ele, também, foi assassinado. Labassi-Marduque tornou-se o cabeça durante nove meses; foi deposto pelo partido sacerdotal, e Nabonido, um ex-sacerdote babilônio sob Nabucodonosor, foi nomeado rei do império.

Nabonido reinou durante dezessete anos (556 - 539 a.C.). Próximo do fim do seu reinado, ele fez de seu filho primogênito, Belsazar, co-regente. Obviamente, Belsazar era o governante número dois do império e isto explica porque ele ofereceu fazer de Daniel o "terceiro no governo" (5:16,29). Evidentemente, Nabonido esteve longe da Babilônia neste tempo.


Havendo Belsazar provado o vinho, mandou trazer os vasos de ouro e de prata, que Nabucodonosor, seu pai, tinha tirado do templo que estava em Jerusalém, para que bebessem neles o rei, os seus príncipes, as suas mulheres e concubinas.


5:2 Como um jovem "exibido" que se vangloriava de sua posição e poder, Belsazar deu uma enorme festa. Ele ordenou que bebessem dos vasos sagrados que Nabucodonosor tinha anteriormente trazido de Jerusalém (veja 2 Reis 24:10-14; 25:13-17; Daniel 1:2; Jeremias 28:19-22).


Então trouxeram os vasos de ouro, que foram tirados do templo da casa de Deus, que estava em Jerusalém, e beberam neles o rei, os seus príncipes, as suas mulheres e concubinas. Beberam o vinho, e deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira, e de pedra.


5:3-4 Eles desconsagraram estes vasos santos não somente por removê- los de seu propósito ordenado, mas porque foram profanados mais tarde, quando foram usados para louvar os deuses ídolos da Babilônia.


Na mesma hora apareceram uns dedos de mão de homem, e escreviam, defronte do castiçal, na caiadura da parede do palácio real; e o rei via a parte da mão que estava escrevendo. Mudou-se então o semblante do rei, e os seus pensamentos o turbaram; as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos batiam um no outro.


5:5-6 Belsazar ficou aterrorizado quando viu os dedos de uma mão humana escreverem sobre o estuque da parede do palácio. Pode-se bem imaginar porque seus joelhos bateram um contra o outro!


E gritou o rei com força, que se introduzissem os astrólogos, os caldeus e os adivinhadores; e falou o rei, dizendo aos sábios de babilônia: Qualquer que ler este escrito, e me declarar a sua interpretação, será vestido de púrpura, e trará uma cadeia de ouro ao pescoço e, no reino, será o terceiro governante. Então entraram todos os sábios do rei; mas não puderam ler o escrito, nem fazer saber ao rei a sua interpretação. Então o rei Belsazar perturbou-se muito, e mudou-se-lhe o semblante; e os seus senhores estavam sobressaltados.


5:7-9 Em pânico, o rei mandou chamar os sábios de seu reino para interpretarem a escrita. Desesperado para saber o significado, ele ofereceu grandes prêmios incluindo ser o terceiro governante do reino. Contudo, ninguém podia dar a interpretação.


A rainha, por causa das palavras do rei e dos seus senhores, entrou na casa do banquete, e respondeu, dizendo: Ó rei, vive para sempre! Não te perturbem os teus pensamentos, nem se mude o teu semblante.


5:10 A rainha aqui referida pode não ter sido uma das esposas de Belsazar, que já estavam no salão do banquete (v. 2). Talvez esta rainha fosse sua própria mãe, a filha de Nabucodonosor.


Há no teu reino um homem, no qual há o espírito dos deuses santos; e nos dias de teu pai se achou nele luz, e inteligência, e sabedoria, como a sabedoria dos deuses; e teu pai, o rei Nabucodonosor, sim, teu pai, o rei, o constituiu mestre dos magos, dos astrólogos, dos caldeus e dos adivinhadores;
Porquanto se achou neste Daniel um espírito excelente, e conhecimento, e entendimento, interpretando sonhos e explicando enigmas, e resolvendo dúvidas, ao qual o rei pôs o nome de Beltessazar. Chame-se, pois, agora Daniel, e ele dará a interpretação. Então Daniel foi introduzido à presença do rei. Falou o rei, dizendo a Daniel: És tu aquele Daniel, um dos filhos dos cativos de Judá, que o rei, meu pai, trouxe de Judá?


5:11-13 Quando ela descreveu Daniel, mostrou que estava bem informada sobre ele e sua relação com Nabucodonosor (veja 2:46-49; 4:9).


Tenho ouvido dizer a teu respeito que o espírito dos deuses está em ti, e que em ti se acham a luz, e o entendimento e a excelente sabedoria. Agora mesmo foram introduzidos à minha presença os sábios e os astrólogos, para lerem este escrito, e me fazerem saber a sua interpretação; mas não puderam dar a interpretação destas palavras. Eu, porém, tenho ouvido dizer de ti que podes dar interpretação e resolver dúvidas. Agora, se puderes ler este escrito, e fazer-me saber a sua interpretação, serás vestido de púrpura, e terás cadeia de ouro ao pescoço e no reino serás o terceiro governante.


5:14-16 Quando Daniel foi trazido perante o rei, o mesmo oferecimento de recompensa lhe foi feito.


Então respondeu Daniel, e disse na presença do rei: As tuas dádivas fiquem contigo, e dá os teus prêmios a outro; contudo lerei ao rei o escrito, e far-lhe-ei saber a interpretação.


5:17 Daniel não estava interessado no na  recompensa oferecida pelo rei. Ainda que mais tarde lhe tivesse sido dada (v. 29), era uma recompensa sem valor porque o reino caiu naquela mesma noite. Contudo, Daniel desejava dar a interpretação porque era um anúncio claro de que a queda da Babilônia vinha como um julgamento direto do Senhor!


Ó rei! Deus, o Altíssimo, deu a Nabucodonosor, teu pai, o reino, e a grandeza, e a glória, e a majestade. E por causa da grandeza, que lhe deu, todos os povos, nações e línguas tremiam e temiam diante dele; a quem queria matava, e a quem queria conservava em vida; e a quem queria engrandecia, e a quem queria abatia.


5:18-19 A história registra que Nabucodonosor era um grande homem. Daniel revela que sua grandeza foi possibilitada por Deus (veja Daniel 2:21,37; 4:17,25,32).


Mas quando o seu coração se exaltou, e o seu espírito se endureceu em soberba, foi derrubado do seu trono real, e passou dele a sua glória. E foi tirado dentre os filhos dos homens, e o seu coração foi feito semelhante ao dos animais, e a sua morada foi com os jumentos monteses; fizeram-no comer a erva como os bois, e do orvalho do céu foi molhado o seu corpo, até que conheceu que Deus, o Altíssimo, tem domínio sobre o reino dos homens, e a quem quer constitui sobre ele.


5:20-21 O orgulho causou a queda de Nabucodonosor. Ele tinha sido afligido com uma estranha doença até que aprendeu a dar honra ao Senhor (capítulo 4).


E tu, Belsazar, que és seu filho, não humilhaste o teu coração, ainda que soubeste tudo isto. E te levantaste contra o Senhor do céu, pois foram trazidos à tua presença os vasos da casa dele, e tu, os teus senhores, as tuas mulheres e as tuas concubinas, bebestes vinho neles; além disso, deste louvores aos deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não vêem, não ouvem, nem sabem; mas a Deus, em cuja mão está a tua vida, e de quem são todos os teus caminhos, a ele não glorificaste.


5:22-23 Belsazar ignorou a lição da história. Sua própria arrogância levou-o a cometer uma desonra semelhante ao Senhor do céu, ao contaminar os vasos santos e ao usá-los para louvar os ídolos.


Então dele foi enviada aquela parte da mão, que escreveu este escrito. Este, pois, é o escrito que se escreveu: MENE, MENE, TEQUEL, UFARSIM. Esta é a interpretação daquilo: MENE: Contou Deus o teu reino, e o acabou. TEQUEL: Pesado foste na balança, e foste achado em falta. PERES: Dividido foi o teu reino, e dado aos medos e aos persas.


5:24-28 As palavras são apresentadas como "Mene", que significa "numerado"; "Tequel", que significa "pesado"; e "Ufarsim" ou "Peres" (5:28), que significa "divisão." ("Peres" é a forma singular de "Ufarsim"). A mensagem que Daniel interpretou revelava a queda do reino babilônio.


Então mandou Belsazar que vestissem a Daniel de púrpura, e que lhe pusessem uma cadeia de ouro ao pescoço, e proclamassem a respeito dele que havia de ser o terceiro no governo do seu reino.


5:29 Belsazar honrou sua promessa de recompensas, e Daniel permitiu-lhe mostrar alguma integridade mantendo sua palavra, ainda que as dádivas nada significassem para ele.


Naquela noite foi morto Belsazar, rei dos caldeus.


5:30 Naquela noite de 538 a.C. Belsazar foi morto e a Babilônia caiu sob os medos e os persas. Este foi um cumprimento de profecia, não somente de Daniel, mas também daquilo que Isaías tinha falado 175 anos antes (Isaías capítulos 13; 14; 21; 47). Uma vitória tão fácil para os medos e os persas parecia impossível, porque a cidade da Babilônia era circundada por uma muralha de 105 metros de altura por 26 metros de espessura (6 carros de guerra podiam percorrê-la emparelhados). Contudo, Ciro arquitetou uma brilhante estratégia militar. O rio Eufrates corria através da cidade, mas a base da muralha estava mergulhada na superfície da água. Ciro foi rio acima alguma distância e desviou a água para um lago artificial que drenou o leito do rio de modo que seu exército pôde marchar para dentro da cidade. Uma vez dentro dela, o exército ainda enfrentava as muralhas ao longo de cada margem do rio, mas talvez porque a festa de Belsazar estivesse acontecendo, os portões estavam abertos. Como poderia alguém, a não ser que estivesse inspirado, imaginar o nome do rei invasor, ou que as portas estariam abertas? Mas Isaías profetizou as duas coisas 175 anos antes que acontecessem (Isaías 45:1-5). 


E Dario, o medo, ocupou o reino, sendo da idade de sessenta e dois anos.


5:31 A identificação exata de Dario, o Medo, é discutível; contudo, os mais fortes argumentos parecem ser que ele se ajusta à descrição de um homem referido comumente em vários textos cuneiformes do sexto século a.C. com o nome de "Gubaru". Definitivamente, ele não deverá ser confundido com Dario, o Grande, que mais tarde dominou a Pérsia (521-486 a.C.). Ciro, o Grande, foi o governador universal deste novo império que é freqüentemente chamado o Império Persa. Contudo, Ciro indicou Dario para ser o governador sobre a província da Caldéia.

(Versículo do dia Romano 14:12).

PERGUNTAS:

1. Quantos convidados honrados estavam na festa de Belsazar?
 2. Quem era louvado nessa grande festa?
3. Qual foi a reação do rei quando viu os dedos de uma mão escrevendo?
4. Qual foi a recompensa que Belsazar prometeu pela interpretação da visão? 
5. O que a rainha disse que era "achado” em Daniel nos dias de Nabucodonosor? 
6. O que Belsazar tinha ouvido que Daniel podia fazer?
7. O que Daniel disse que Deus tinha dado a Nabucodonosor? 
8. Quando Nabucodonosor foi derrubado do seu trono?  
9. Qual foi a interpretação de Daniel da escrita na parede? 
10. Quando Belsazar foi morto?




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